segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Vencedora de licitação do PAC em VG financiou campanha de Murilo


A pesar de o prefeito de Várzea Grande, Murilo Domingos (PR), negar, veementemente, ele recebeu doação eleitoral na campanha de 2008, da empresa Gemini Projetos Incorporações e Construções Ltda., envolvida no esquema de fraudes nas licitações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na cidade. "Nunca recebi nada. De nenhum, nem dela [Gemini], nem de ninguém. Nada, nada, nada", negou o prefeito, ao ser questionado, durante entrevista, no começo da noite de sexta-feira (14), após reunião como juiz Julier Sebastião, na 1ª Vara da Justiça Federal, para discutir justamente a questão do escândalo do PAC na Cidade Industrial.
O MidiaNews constatou que a empresa Gemini, comandada pelo ex-prefeito (nomeado) de Cuiabá, Anildo Lima Barros - preso durante a Operação Pacenas -, doou para campanha de Murilo à reeleição, em 2008, a quantia de R$ 100 mil. A doação foi feita por meio de transferência eletrônica, no dia 1º de outubro do ano passado, poucos dias antes do pleito eleitoral. A doação é confirmada em extratos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Murilo Domingos, durante entrevista, confirmou que tem "uma relação estreita com Anildo Lima Barros", porém restrita somente no campo da amizade. "Com o Anildo, tenho uma amizade grande, mas não tenho nenhuma relação comercial. Não tenho negócios com ele, nem recebi doação nenhuma", disse, após ser questionado pela reportagem sobre a a possibilidade de ter recebido alguma doação do empresário.
A empresa comandada por Anildo, a Gemini, é uma das integrantes do "Consórcio Cuiabano", que venceu as licitações para a execução de obras do PAC de Várzea Grande. Do grupo fazem parte,também, a Concremax, do empresário Jorge Antônio Pires de Miranda, e a Construtora Três Irmãos, dos irmãos Carlos Avalone e Marcelo Avalone. Todos os empreiteiros foram presos durante a Operação Pacenas, deflagrada pela Polícia Federal, na segunda-feira (10).InfluênciaEm interceptações telefônicas feita pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, Anildo Lima Barros demonstra ter bastante influência junto ao prefeito Murilo Domingos, afirmando que faria reclamações sobre possível andamento da licitação do PAC. Nas gravações, ele ainda demonstra uma certa preocupação quanto à participação de outras empresas no certame e que não estariam dentro do esquema de fraudes supostamente liderado por ele.
"Hoje, o Murilo [Domingos] estáeunido com todos os secretários. À tarde, eu vou ter que ir lá falar com o Murilo. Eu vou falar com o [José] Braga lá, eu vou falar com o Dito (Dito Loro), ver se ele já mandou o negócio pro Braga. Eu vô pedir pro Braga acelerar pra fazer urgente e urgentíssima, pra ver se a gente assina", afirma Anildo ao empreiteiro Marcelo Avalone, com conversa telefônica gravada no dia 22 de janeiro de 2008, conforme denúncia relatada pelo juiz Julier Sebastião, que decretou a prisão preventiva dos envolvidos.
Com isso, levantou-se a suspeita de que o dinheiro doado por Anildo Lima Barros para campanha eleitoral de Murilo, quando, seria uma espécie de "troca de favores", uma vez que Murilo teria ajudado o consórcio formado pela Gemini, Concremax e Três Irmãos a ganhar a licitação das obras do PAC. A concorrência aconteceu em janeiro e a doação, em outubro de 2008.
Confira documento que comprova doação da empreiteira Gemini ao prefeito Murilo Domingos

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