quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Leste foi a preferida

MARIANNA PERESDa Reportagem

Cuiabá teve seu crescimento imobiliário direcionado para construções verticais, apartamentos, em 2009. A maior parte dos investimentos foi para a região leste, que abriga bairros como Jardim Califórnia, Jardim das Américas, Jardim Itália e Bosque da Saúde. Esta porção da Capital ofertou sozinha 44% dos 6.572 apartamentos lançados ou construídos ao longo do ano. A região contra 3.675 unidades deste total. Em relação às casas, a indústria da construção optou pelos condomínios fechados, e neste nicho do mercado, a região norte viu nascer 854 unidades em bairros como Morada do Ouro e Parque das Nações, concentrando 43% do total em construção ou lançado durante 2009. De acordo com o Sindicato das Indústrias da Construção de Mato Grosso (Sinduscon/MT), não há base para traçar uma análise do que significam os dados apurados entre os meses de outubro e novembro do ano passado, já que essas informações fazem parte da primeira pesquisa “Mercado Imobiliário”, produzida pela entidade e divulgada ontem. “Estamos formando um banco de dados e esse é um raio x que mostra para onde a cidade está crescendo”, explica o coordenador da pesquisa e vice-presidente do Setor Imobiliário do Sindicato, Paulo Bresser. De acordo com o empresário, a intenção é de que os dados sejam apurados, pelo menos, semestralmente. Com relação aos investimentos feitos nas duas regiões, o Sinduscon explica que a quantificação de cifras é algo complexo e que por isso este dado não fez parte da pesquisa. A maior dos imóveis verticais e horizontais tem até 80 metros quadrados (m²) e o valor médio do espaço construído, segundo a pesquisa, é de R$ 2,5 mil/m² para apartamentos e de R$ 1,8 mil/m² para as casas. MENORES - A pesquisa ratificou uma tendência de mercado da construção que começou a ser desenhada ainda entre 2007 e 2008 e que tomou forma em 2009, o atendimento à classe média. Esse nicho intermediário era uma demanda represada há anos, que for falta de acesso ao crédito e a projetos diferenciados, ficava sem opções de compra, já que a disponibilidade do mercado era de apartamentos padrão luxo, ou, plantas populares, de até 55 m². Dos mais de 6 mil apartamentos compilados, 3.278 tem até 80 m², ou, 50,12% do total em projeto ou construção. “Tivemos em 2009 uma abertura maior ao crédito imobiliário. Os projetos que puderam atender ao orçamento das famílias de classe média deram a tônica do mercado. De fato, como mostra a pesquisa, a maior parte dos imóveis comercializados e em construção, tanto de casas como apartamentos, oferta entre 60 m² e 80 m². Ainda não posso afirmar se esta tendência se manterá em 2010, já que ainda avaliamos até que ponto este mercado suporta empreendimentos de menor porte. O que será neste novo ano, vamos saber em cerca de três meses”, pontua Bresser. PLAENGE – De acordo com a pesquisa a construtora foi a que mais ofertou unidades verticais em 2009. O gerente de Incorporações, Cássio Caberlin, explica que a construtora está fechando os números de 2009, mas antecipa que em 2010, e em breve, novos projetos serão anunciados, inclusive, para atender à demanda do primeiro imóvel e do projeto ‘Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal. A afirmação do executivo reforça a manutenção da tendência de unidades de até 80 m² e com valor de mercado – para apartamentos novos – entre R$ 100 mil a R$ 250 mil. “O Estado cresce e está aberto aos projetos. Para favorecer ainda mais este nicho da construção civil, há investimentos dos governos estadual e federal, que junto à desburocratização do crédito imobiliário, queda nas taxas de juros e ampliação dos financiamentos para até 30 anos, cria toda uma conjuntura favorável para quem constrói e para quem quer o imóvel próprio”, avalia Caberlin. Dentro desta nova realidade ao segmento, Caberlin conta que foi possível a inserção de pessoas com salário de cerca de R$ 3 mil no financiamento imobiliário. “Essas unidades que atendem ao poder aquisitivo de até R$ 5 mil ao mês, requer todo um replanejamento das construtoras, que agora investem em terrenos maiores para ofertar o maior número possível de unidade dentro de cada e projeto e com isso baratear não apenas o valor do bem, assim como, o do condomínio. Considerando a importância do rateio para o projeto, a pessoa que compra o apartamento ainda na planta, seja sozinha ou família, tem condições de comprometer até 30% da renda e pagar em 30 anos”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário