segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ministério Público abre investigação sobre "negócio" do teleférico



O Governo de Blairo Maggi será investigado pelo Ministério Público Estadual por causa da possível manobra envolvendo o secretário Yuri Bastos Jorge, de Desenvolvimento do Turismo, e o empresário Antônio Chechin Júnior, para instalação do teleférico em região paisagística de Chapada dos Guimarães. A obra faz parte do pacote de atrativos turísticos para incrementar os negócios envolvendo a Copa do Mundo de 2014. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público decidiu abrir investigação para apurar todos os procedimentos relacionadas as obras, já que há suspeitas efetivas de que o negócio foi planejado para beneficiar o empresário. Por questões ambientais, a obra está paralisada.
De acordo com edital do Governo, o teleférico deverá ser instalado na região do Mirante da Chapada. Contudo, o local escolhido para instalação dos dois pontos é considerado de baixa importância visual, escondidos aos fundos da cidade, do lado direito da Pousada Penhasco. O local nunca foi ponto de qualquer visitação – o que fez o promotor ambiental Jaime Romaquelli a levantar as primeiras suspeitas sobre o caso. O ponto, pertencia ao empresário Chechin, que fez a doação da área ao Estado.
A par da doação da área, que o empresário documentou, bem próximo do ponto onde foram feitas escavações para estudar a forma de instalar o empreendimento está sendo erguido um amplo complexo de apoio turístico. Entre os quais, há informações sobre a edificação de um restaurante, de propriedade do empresário, que, no caso, seria amplamente beneficiado com o negócio, já que, pelas propriedades de áreas contíguas, teria condições de explorar economicamente o negócio. O que para muitos era algo empreendedor, se transformou numa espécie de negócio de cartas marcadas.
A área em questão parece ter sido escolhida a dedo. Até porque em Chapada sempre se falou que o Mirante do Centro Geodésico teria muito mais aptidão para acomodar uma estrutura desse tipo e é área pública. “Tanto no ponto de partida como no de chegada, se feito no mirante, atingiria áreas devolutas, pertencentes ao Estado” – enfatizou o promotor Romaquelli, ao questionar o empreendimento. Por outro lado, a área “área doada” para o teleférico já foi objeto de uma Ação Civil Pública exatamente para impedir edificações no local chamado Ponta do Campestre, já que é ambiente de extrema sensibilidade, servindo, ainda, de ninhais para reprodução de diversas espécies da fauna local, além de corredor de animais que transitam em direção ao Parque Nacional.
O que intriga em tudo isso e que está sendo alvo das investigações oficiais do MPE, no entanto, foi a prestação de contas da campanha a deputado estadual do secretário Yuri. Nela consta a doação financeira de Antônio Chechin Júnior, no valor de R$ 25 mil. A campanha de Yuri em 2002, quando não logrou êxito nas urnas, custou apenas pouco mais de R$ 300mil – valor considerado por especialistas como muito aquém da realidade de mercado, em que pese a grande maioria das prestações de contas nunca apresentarem o perfil verdadeiro. Há, contudo, outras vertentes em fase de investigações. Por exemplo, a relação de negócio mantidos entre a família Bastos Jorge com Chechin Júnior. “É possível que haja mais coisas” – disse um promotor.
Arquivo
Yuri Bastos Jorge: Governo investigado
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» Teleférico na Chapada coloca secretário de Maggi na “corda bamba”No procedimento interno da Promotoria já foi solicitado à Secretaria de Meio Ambiente todas as informações referentes aos intrumentos de doação da área escolhida pela Secretaria – cuja cadeia condominial também será passada a limpo – e ainda da própria licitação. Envolvidos n as investigações crêem pacificamente que “algo vai aparecer”, especialmente pelo fato de que, até aqui, todos os atos envolvendo o teleférico da Chapada está eivado de obscuridade. Consta apenas a realização, oficial, de uma reunião em que foram observadas uma série de pontos que confrontam com a legislação ambiental. Porém, o que o Ministério Público quer saber é se haverá mais que danos ambientais relacionados ao empreendimento.
De sua parte, o secretário Bastos Jorge tem emitido poucos sinais no sentido de dar um esclarecimento efetivo a questão. Limita-se a dizer que tudo está correndo dentro da normalidade e ataca as informações que tratam do assunto como “desinformação”. Comemorado como um dos que trabalharam para garantir a Copa do Mundo de 2014 para Cuiabá, Yuri vem enfrentando profundo desgaste, segundo fontes governamentais. Há tempos já não é tratado como alguma deferência pelo governador Blairo Maggi e seus principais assessores. Em verdade, Yuri acumula uma série de problemas. O último, relatado por um assessor próximo de Maggi, aconteceu na reunião dos secretários na região do Pantanal, antes do executivo sair de férias. Yuri chegou atrasado e de avião. Estava em Barra do Garças, negociando a implantação de outro teleférico.

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