
O travesti D. B. S. C., 17, confirmou, em depoimento à Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá, que vem recebendo ameaças para mudar a versão sobre o fato ocorrido no dia 6 de fevereiro passado, quando ele e o vereador Ralf Leite (PRTB) foram flagrados por policiais militares, na região do Zero KM, em Várzea Grande, fazendo sexo oral. O depoimento foi tomado na tarde desta segunda-feira (15), atendendo a uma determinação do Regimento Interno do Legislativo. A oitiva também atendeu a um pedido da defesa de Ralf Leite.
Além do travesti, a Comissão de Ética, presidida pelo vereador Everton Pop (PP), ouviu, novamente, os militares que flagraram o ato, os soldados Uanderley Benedito Costa e Fábio Gomes de Oliveira. Desta vez, segundo Pop, os procedimentos foram realizados dentro da legalidade, ao oportunizarem o direito de defesa. "O vereador teve a oportunidade de fazer perguntas, mas como não esteve presente, nem seus advogados, demos continuidade às oitivas", disse Pop.
Na oportunidade, tanto o travesti como os soldados confirmaram a versão de que Ralf, ao ser flagrado com o jovem, utilizou da prerrogativa de vereador para tentar intimidar os militares. O jovem, no início, segundo o relator do processo, vereador Domingos Sávio (PMDB), teria negado que estivesse no carro de Ralf Leite naquela madrugada, mas, depois, confirmou a primeira versão. "Ele estava meio nervoso, negou que estava dentro do carro, mas depois, assumiu que estava e confirmou a versão dos militares", informou Sávio.
Durante o depoimento do travesti, que foi acompanhado por sua mãe, Maria Liz, ele declarou aos vereadores que vem sofrendo pressão para mudar o depoimento, para inocentar o vereador Ralf Leite. Ele apontou duas mulheres -‘Babalu' e ‘Joice' - de oferecerem R$ 20 mil à família do garoto. "Ele informou que essas duas mulheres o procuraram e fizeram pressões financeiras, para que ele mudasse o depoimento", revelou Domingos Sávio.Agora, a Comissão de Ética passará à defesa de Ralf Leite os depoimentos e, após isso, ele terá 15 dias para apresentar a defesa do processo, que pode resultar na cassação de seu mandato. "As oitivas foram concluídas e a Comissão de Ética vai poder concluir seus trabalhos. Estávamos há 42 dias paralisados, atendendo a uma liminar. Após recebermos a defesa do vereador iremos concluir o relatório e encaminhar para apreciação dos vereadores", afirmou Pop.



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