
Achou estranho, assustador, ou sem nexo este título? Você deve estar se perguntando de onde tirei isso? A resposta é simples: tirei das ruas e avenidas da Grande Cuiabá. Na tragédia com o Airbus da TAM, em Congonhas, há dois anos, 180 pessoas morreram. Este também é o número de mortos todos os anos, no trânsito de Cuiabá. Equivale a derrubar um jato daquele todos os anos.
Usei este título catastrófico justamente para chamar atenção para o problema de saúde pública que vivemos com relação ao trânsito. O país inteiro se comove quando há uma tragédia como a da aeronave que citei, mas as pessoas parecem ficar em estado letárgico quando se trata de acidentes de trânsito. Já é quase cultural achar que isso é comum, corriqueiro.
As pessoas se mostram estarrecidas diante de um desastre aéreo, como agora no caso do King Air que caiu em Trancoso (BA), mas parecem não dar a mínima para o fato de termos mais de 37 mil mortes no trânsito todos os anos no Brasil. Nesse ritmo, em sete anos, teremos 245 mil mortes. Os prejuízos para o país chegam a R$ 28 bilhões anualmente. Isso equivale ao PIB de muitos países, o da Bolívia, por exemplo, nem chega a tanto.
Claro que fico chocado com desastres aéreos, mas também me choca ver, todos os dias, nas páginas dos jornais, o sangue derramado no trânsito. E o que mais me choca é saber que a grande maioria das mortes poderia ser evitada apenas usando o bom senso. As estatísticas comprovam que 90% das mortes no trânsito ocorrem por pura imprudência. Podemos reduzir drasticamente os índices de acidentes, simplesmente observando regras básicas de trânsito.
Mas isso não depende apenas da autoridade pública, não depende apenas dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), mas sim de cada um de nós. Depende da consciência e da educação de cada condutor, de cada pedestre e cada condutor. Há motoristas que não respeitam nem mesmo as ambulâncias. Lembro-me de um acidente ocorrido em Cuiabá no ano passado, envolvendo dois ônibus que atravessaram semáforo na hora errada. Uma ambulância capotou depois de atingida por um carro, quando partia em socorro às vítimas do acidente com os ônibus.
O Detran busca, de todas as formas, fazer seu papel. As regras para habilitar motoristas estão cada vez mais duras. Radares estão sendo usados para retirar das ruas veículos em situação irregular. Temos várias campanhas educativas permanentes em andamento e os Centros de Formação de Condutores (CFCs) estão sendo fortemente fiscalizados. Nessa tarefa, quero destacar o papel da imprensa, que tem ajudado com matérias críticas ao comportamento das pessoas no trânsito, colaborando para melhorar o nível de consciência.
Claro que há deficiências em nossa malha viária, excesso de veículos nas ruas, e sinalização deficiente. Mas há, acima de tudo, imprudência e desrespeito. Fala-se muito em "indústria da multa", mas multar não é nem de longe nosso objetivo. Gostaria que houvesse radares nas ruas sim, mas também gostaria que nenhuma multa fosse aplicada por eles, o que mostraria que as pessoas já estariam conscientes no trânsito.
Até quando vamos figurar nas estatísticas como um dos trânsitos mais violentos do país? Até quando vamos "derrubar" um Airbus por ano? Temos uma indústria sim, mas não de multa. O que temos é a INDÚSTRIA DA IMPUNIDADE. Até quando?
TEODORO MOREIRA LOPES é presidente do Detran de Mato Grosso.
Usei este título catastrófico justamente para chamar atenção para o problema de saúde pública que vivemos com relação ao trânsito. O país inteiro se comove quando há uma tragédia como a da aeronave que citei, mas as pessoas parecem ficar em estado letárgico quando se trata de acidentes de trânsito. Já é quase cultural achar que isso é comum, corriqueiro.
As pessoas se mostram estarrecidas diante de um desastre aéreo, como agora no caso do King Air que caiu em Trancoso (BA), mas parecem não dar a mínima para o fato de termos mais de 37 mil mortes no trânsito todos os anos no Brasil. Nesse ritmo, em sete anos, teremos 245 mil mortes. Os prejuízos para o país chegam a R$ 28 bilhões anualmente. Isso equivale ao PIB de muitos países, o da Bolívia, por exemplo, nem chega a tanto.
Claro que fico chocado com desastres aéreos, mas também me choca ver, todos os dias, nas páginas dos jornais, o sangue derramado no trânsito. E o que mais me choca é saber que a grande maioria das mortes poderia ser evitada apenas usando o bom senso. As estatísticas comprovam que 90% das mortes no trânsito ocorrem por pura imprudência. Podemos reduzir drasticamente os índices de acidentes, simplesmente observando regras básicas de trânsito.
Mas isso não depende apenas da autoridade pública, não depende apenas dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), mas sim de cada um de nós. Depende da consciência e da educação de cada condutor, de cada pedestre e cada condutor. Há motoristas que não respeitam nem mesmo as ambulâncias. Lembro-me de um acidente ocorrido em Cuiabá no ano passado, envolvendo dois ônibus que atravessaram semáforo na hora errada. Uma ambulância capotou depois de atingida por um carro, quando partia em socorro às vítimas do acidente com os ônibus.
O Detran busca, de todas as formas, fazer seu papel. As regras para habilitar motoristas estão cada vez mais duras. Radares estão sendo usados para retirar das ruas veículos em situação irregular. Temos várias campanhas educativas permanentes em andamento e os Centros de Formação de Condutores (CFCs) estão sendo fortemente fiscalizados. Nessa tarefa, quero destacar o papel da imprensa, que tem ajudado com matérias críticas ao comportamento das pessoas no trânsito, colaborando para melhorar o nível de consciência.
Claro que há deficiências em nossa malha viária, excesso de veículos nas ruas, e sinalização deficiente. Mas há, acima de tudo, imprudência e desrespeito. Fala-se muito em "indústria da multa", mas multar não é nem de longe nosso objetivo. Gostaria que houvesse radares nas ruas sim, mas também gostaria que nenhuma multa fosse aplicada por eles, o que mostraria que as pessoas já estariam conscientes no trânsito.
Até quando vamos figurar nas estatísticas como um dos trânsitos mais violentos do país? Até quando vamos "derrubar" um Airbus por ano? Temos uma indústria sim, mas não de multa. O que temos é a INDÚSTRIA DA IMPUNIDADE. Até quando?
TEODORO MOREIRA LOPES é presidente do Detran de Mato Grosso.



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