
Apesar de ter admitido erros nos últimos dias, o vereador cuiabano Ralf Leite (PRTB) mantém a versão de que não contratou um programa com um travesti menor de idade e teria sido vítima de um armação por parte de policiais militares ao ser preso no dia 6 de fevereiro.
A afirmação de que não contratou o programa foi feita por Ralf em entrevista concedida ao jornal A Gazeta, na qual ele também comentou a relação com os demais vereadores, pois vem recebendo manifestação de apoio nos últimos dias que sinalizam para uma eventual absolvição diante do processo disciplinar que ele responde na Comissão de Ética da Câmara.
Sobre os erros que citou em várias entrevistas à imprensa, o parlamentar alega estar se referindo apenas à declaração de que as mulheres cuiabanas saberiam de sua heterossexualidade. Leia abaixo à entrevista:
A Gazeta - Como foi a reunião secreta que contou com 13 vereadores realizada após a sessão plenária de quinta-feira (16)?
Ralf Leite - Foi boa. Falamos da boa harmonia que estamos tendo na Casa. Isso é importante.
A Gazeta - Foi o senhor que convocou a reunião?
Ralf - Não fui eu. Foi o presidente Deucimar Silva (PP) para tratar de assuntos importantes para a Câmara.
A Gazeta - Mas temos informações de que foi o senhor que chamou os vereadores para pedir apoio e tratar do episódio de fevereiro?
Ralf - Não fui eu, até porque essa questão nós vamos tratar na Justiça. Tenho dito que cometi erros, mas não fico comentando isso porque é uma estratégia de defesa, como no caso do inquérito policial, onde não respondi nenhum questionamento e fui indiciado por isso.
A Gazeta - Mas essa postura não pode lhe complicar?
Ralf - Acredito que não.
A Gazeta - Mas por que o senhor tem dito que cometeu erros? O senhor está mudando a sua versão e admitindo que contratou o programa e não foi vítima de extorsão?
Ralf - Não estou mudando nada. Não existe essa história de programa. Isso não é verdade. Podem ver o que existe de concreto no Ministério Público. Qualquer pessoa pode ver. Essa história de exploração sexual não corresponde. Fico chateado também quando a imprensa e A Gazeta dizem que estava praticando sexo com o menor.
A Gazeta - Mas a imprensa e a Gazeta citam isso com base no que diz o boletim de ocorrência que trata do episódio.
Ralf - Mas não é isso que está no Ministério Público.
A Gazeta - Como não? Além do mais, a delegada Mara Rúbia de Carvalho (da Delegacia Especializada dos Direitos da Criança e do Adolescente) também lhe indiciou por exploração sexual de menor e outros três crimes.
Ralf - Ser indiciado não significa que sou culpado. Ainda tem um longo caminho até a Justiça julgar isso.
A Gazeta - Qual a sua avaliação sobre a possibilidade da Comissão de Ética instaurar um novo processo disciplinar diante do fato de que a Justiça suspendeu por tempo indeterminado a atual representação?
Ralf - Estou tranquilo e à disposição da Câmara. Cometi erros, mas não desviei dinheiro público como outras pessoas ou fiz mal a ninguém. Não há motivo para a cassação. Também não cometi falsidade ideológica. No caso do Corpo de Bombeiros (de onde foi exonerado no mês de março), se houve falhas não foi da minha parte. Comuniquei a corporação antes e logo depois da eleição. Se oficializaram a questão só depois, a culpa não é minha.



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