segunda-feira, 16 de março de 2009

Na rota da valorização


A possível realização da Copa do Mundo em Cuiabá, poderá provocar uma nova corrida imobiliária na Capital. Desta vez a valorização migrará para a região de influência do bairro Verdão, onde está situado o estádio José Fragelli, que seria o palco dos jogos entre as seleções. Antes mesmo do anúncio das sedes – adiado para o final de maio – moradores e corretores de imóveis já falam na valorização da área. Mas, ninguém se arrisca em falar sobre preços, sob a ameaça de uma onde de especulações.
“Não sabemos nem temos idéia de quanto passará a valer o metro quadrado na região do Verdão. Não existe um parâmetro para mensurar o valor e os preços atuais são uma gangorra, cada um avalia a seu modo”, diz o corretor de imóveis Moacyr Henrique de Siqueira. Segundo ele, falar em preço agora é pura especulação. “É óbvio que haverá a valorização dos imóveis localizados nessas áreas, mas ninguém sabe prever quanto custará um terreno”.
Para o corretor Luís Fernando Sabóia, a área onde será construído o Centro de Treinamento (CT) poderá ter valorização maior que a do Verdão. “A valorização será pontual, mas não dá para falar nada agora porque não se sabe nem se teremos esta Copa aqui. Por enquanto é especulação”.
Um empresário, que pediu anonimato, tem um sobrado na Avenida Agrícola Paes de Barros, a principal da região, que segundo ele vale cerca de R$ 400 mil. Há algum tempo ele pensa em vender o imóvel, mas a possibilidade da Copa ter como uma das subsedes Cuiabá, o fez adiar a venda e esperar. “Não estou perdendo nada. Vou continuar morando ali e ver o que posso lucrar a partir de agora”.
O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Carlos Alberto Lúcio da Silva, também acha “temeroso” falar em valorização “quando não se tem nem uma confirmação do evento em Cuiabá”. Ele diz apenas que para o mercado imobiliário “seria muito bom”, pois iria impulsionar o setor. “Só acredito que haverá esta valorização após a confirmação. Por enquanto, não tenho percebido esse movimento, é muito prematuro, mas vamos torcer para Cuiabá ser incluída como uma das subsedes. Todos ganhariam”, afirmou.
REGIÃO – Enquanto esperam a data da confirmação das sedes dos jogos da Copa de 2014, comerciantes e moradores, donos de imóveis localizados próximos ao Verdão, já falam em valorização da área. “Cheguei aqui há 14 anos e nunca imaginei que pudéssemos ter uma Copa e jogos bem próximos da nossa loja. É um negócio de estar no lugar certo e na hora certa”, diz o proprietário do Verdão Materiais para Construção, na Avenida Agrícola Paes de Barros, Venceslau Souza Júnior.
Roberto Marcelo Psendziuk, dono do Mercado Júnior – na mesma avenida – acredita que os imóveis localizados no entorno do Verdão poderão dobrar de preço. “Não abro mão deste ponto”, diz, acrescentando que “muitos moradores decidiram não vender seus imóveis apostando em uma valorização após a confirmação da Fifa”.
Segundo o porteiro Marcelo Rodrigues Brito, dono de um imóvel localizado à rua Maurício Madureira, ao lado do Portão 4 do Verdão, a área já está valorizada e é muito difícil encontrar um imóvel à venda. “Moro aqui há 25 anos e desde o final do ano passado, quando passaram a falar em Copa no Pantanal, percebo que ninguém quer vender terrenos ou casas, pelo menos por enquanto”.
Luciana Schmidt, proprietária do restaurante Mr. Grill, também aposta em um boom na região do Verdão, caso Cuiabá seja confirmada como uma das subsedes da Copa. “A nossa expectativa é que teremos grandes melhorias no nosso bairro, com um forte movimento de pessoas demandando maior consumo. Não faço nenhum negócio agora, prefiro esperar até maio para ver o que irá acontecer”.
Para o professor Sérgio Augusto Ramos dos Santos, residente à rua Dom Luís de Castro Pereira, a valorização da área é certa. “O meu receio é de que com esta valorização haja também um aumento de impostos para os moradores. Acredito também que o governo terá que desapropriar uma série de imóveis para a construção de obras no local, pois quase não existem terrenos disponíveis”.

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