sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ralf não pode mais renunciar e aguarda decisão da Comissão de Ética


O vereador Ralf Leite (PRTB) decidiu correr o risco para ver no que dá e colocou de vez a corda no próprio pescoço. Porém, está torcendo para que ninguém chute o banquinho no qual está se equilibrando desde o último dia 6 de fevereiro, quando foi flagrado, em frente a um motel, em companhia do menor D.B.S.C., de 17 anos, que se prostituía como travesti no Zero KM. A região é famosa como zona de prostituição e de venda de drogas, em Várzea Grande.Respondendo a inquérito por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Municipal, Ralf Leite deixou correr o prazo limite para renunciar ao cargo por livre e espontânea vontade e teve que retornar ao exercício da função - inclusive, para garantir o recebimento do seu polpudo salário de R$ 9,2 mil por mês e demais benefícios financeiros que são estendidos aos demais vereadores. Isso porque a Câmara não aceitou o atestado médico apresentado por ele para justificar o pedido de afastamento por 90 dias, para um suposto tratamento de saúde.Na terceira sessão da qual participou (uma solene e duas ordinárias, incluindo a desta quinta-feira) como vereador eleito por Cuiabá, Ralf Leite era a imagem da desolação e abandono. Totalmente ignorado pelos demais parlamentares (poucos, inclusive, arriscaram a dar-lhe um aperto de mão), o jovem parlamentar, que foi eleito com 3.115 votos, como uma das promessas de renovação do Legislativo Cuiabano, era, no que se convenciona dizer, "um peixe fora do aquário".O parlamentar passou a maior parte do tempo com a mão direita espalmada sobre a boca, cobrindo parte do rosto, sem conseguir disfarçar o incômodo que a situação lhe causava, principalmente porque, das galerias, muitas pessoas acompanhavam com o olhar todos os seus movimentos em Plenário.Por várias vezes, ele se ausentou do Plenário e, ao retornar, apresentava certo rubor no rosto, sem conseguir olhar seus pares de frente e, muito menos, os jornalistas que aguardavam seu pronunciamento no “aquário” (espaço destinado à Imprensa, ao lado do plenário).Depois de recuar da decisão de atender à Imprensa, Ralf Leite foi representado por um de seus advogados, Alfredo Gonzaga, que, também muito rapidamente, explicou que o vereador vai apresentar sua defesa por escrito à Comissão de Ética da Câmara; e que, se houver necessidade de algum esclarecimento posterior, poderá dar um depoimento complementar.

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